O Rio Capibaribe – Uma moldura da cidade do Recife (2). Por José Luiz da Mota Menezes

1Frans Post. Maurícia e o Recife

Desde o século XVI que o Rio Capibaribe tem sido utilizado para a navegação fluvial. No século XIX, foi um dos principais meios de chegar ao centro do Recife, desde os subúrbios por onde passa o rio.

Na elaboração de uma projeto de navegação e ainda de parques de lazer, o rio foi o alvo maior , uma vez que com navegabilidade possível e comprovada. Um excelente projeto foi elaborado e parcialmente concluído.

Com um grupo de arquitetos holandeses e apoio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo o rio foi novamente descoberto pela gente dos países-baixos, antes, entre 1630 e 1654, existiu o mesmo interesse, Resultando da presença desses holandeses, um estudo sobre a utilização das águas navegáveis percorreu o Brasil. Uma notável proposta sobre o uso da navegação fluvial no Recife, com propostas de parques, numa cidade cortada por rios e córregos. Tudo restou como seria natural em ideias e sonhos, o melhor caminho para a materialidade.

Afinal vem o governo federal e o estadual e um projeto destina uma quantia suficiente para ta materialidade. Tudo começou e… parou!

Uma das notícias sobre tal paralização assim informava:

“A navegabilidade do Rio Capibaribe integra as obras de mobilidade que poderiam melhorar o trânsito da Região Metropolitana do Recife, mas que estão atrasadas. Elas foram pensadas para ficarem prontas até 2014, o ano da Copa do Mundo. No projeto, consta sete estações fluviais que levariam passageiros até o centro do Recife. A obra, que custou $ 100 milhões, está abandonada. Enquanto isso, motoristas, pedestres e passageiros sofrem diariamente com grandes congestionamento”. ( Globo Nordeste G1 – 09/03/2016)

Os custos gastos foram enormes, talvez perdidos: 80 milhões de reais iniciais na dragagem. Situação que com o passar do tempo fica sem efeito por conta da recomposição do próprio rio. Um ambientalista, citado pelo mesmo blog assim informou:

“Esse dinheiro, certamente, em boa parte, foi perdido porque a natureza tem o processo de retornar o seu estado natural. Então houve um investimento aqui tanto para você limpar toda esta área quanto para desassorear o rio, na realidade, para aumentar um pouco a profundidade do rio. Esse é um processo que não é natural. O que vai acontecer é que as águas vão retornar com esse sedimento”, explicou a ambientalista.

O Capibaribe é um rio sem sorte. Ele emoldura a cidade garantindo sua beleza e atração e, de presente, foi por sua vez emoldurado por rica plantação de mangues, até exagerada, mas de grande interesse estético. Ele tem dado à cidade , ao longo de sua existência, a razão maior de  sua escolha enquanto assentamento urbano e recebe, em troca, talvez tanta irresponsabilidade.

2Luís Schllappriz – passagem da Madalena – 1863.

Um dia acreditamos ele será beneficiado e retornará a grandeza q reconhecida pelos donos dos solares e palacetes que junto ao rio abria seus jardins para sua contemplação. Um tempo, onde a sensibilidade em relação a paisagem urbana e a cultura existia no nosso estado entre o gestores e demais responsáveis. A demanda hoje, apesar das conquistas da ciência e da tecnologia, é pelo ter, longe, bem longe do ser. Mas a esperança, isto nos ensina a história, nunca morre, morre é essa gente, felizmente!

José Luiz da Mota Menezes é arquiteto, urbanista, professor, Presidente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano e da Academia Pernambucana de Letras

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