Arquivo da categoria: História

O RECIFE DE ILHAS BARROCAS, CERCADAS POR UM MAR ECLÉTICO. POR JOSÉ LUIZ DA MOTA MENEZES

PRAÇA DA REPÚBLICA - RECIFEBairro de Santo Antônio – Teatro de Santa Isabel, Palácio da Justiça e outros edifícios de diversos momentos. Foto JLMM

No Recife, faz algum tempo, a prefeitura da cidade realizou um encontro intitulado Projeto Capital. Nesta reunião, onde estavam os representantes de várias entidades do estado e do município, uma pergunta feita a mim recebeu uma resposta negativa. Esta era a seguinte: o Recife era uma cidade Barroca? Justifico agora a resposta. Embora a cidade tenha excelentes monumentos edificados desse período artístico, estes estão envolvidos por construções de tempos e gostos diferentes.  O Recife tem sim ilhas Barrocas, cercadas por um mar de diferentes momentos arquitetônicos. A unidade que caracterizaria, entre outras razões, uma cidade Barroca não existe. Para entender a questão e a resposta que dei para a pergunta, posso tecer algumas considerações.

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FRASES E IDEIAS SOBRE INTERVENÇÃO . POR JOSÉ LUIZ DA MOTA MENEZES

RECIFE ONTEM E HOJEEm excelente comparação do fotógrafo Josivan Rodrigues nos mostra, do mesmo local, duas imagens do Recife – a 1ª parte de Litografia de Hagedorn, de 1855, e uma foto do autor da comparação, de 2015.

Diante de uma comparação entre duas imagens do Recife, ambas vistas de um mesmo lugar, do alto da Igreja do Divino Espirito Santo, antiga de Nossa Senhora do Ó do extinto colégio dos jesuítas do Recife, um historiador de arte, um crítico, ou simplesmente quem deseja se voltar para a percepção da arquitetura e do urbanismo daquela cidade, depara-se com uma série de intervenções, quer numa ou noutra,que osdeixam sem condição de identificar naquela cidade a unidade e a harmonia tão desejadas, teoricamente, por tantos em análises de projetos de intervenções.

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ARQUITETURA INDUSTRIAL: TÉCNICA DETALHE E SIGNIFICÂNCIA. POR RENATA MARIA VIEIRA CALDAS E FERNADO DINIZ MOREIRA

BOMBRIL 1Fábrica da Bombril (NE): vista da coberta, mostrando a coordenação dos sistemas de vedação e coberta Foto: Fernanda Mafra

As construções destinadas a acomodar processos produtivos e industriais estão estreitamente ligadas a dois processos ou fenômenos característicos da era moderna: a mecanização e a industrialização. São edifícios baseados em princípios como a racionalização e a verdade construtiva que em tese teriam pouca ou nenhuma relação com o lugar em que foram implantados.

Arquitetos pensaram estes edifícios de forma a solucionar impasses de ordem técnica. Estas soluções resultaram em significativas conquistas na engenharia civil, tais como o cálculo estrutural, técnicas avançadas com materiais como o ferro e o concreto e a racionalização e padronização dos processos de construção, os quais foram aplicados também a outros edifícios.

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O HOMEM QUE GUARDAVA O CORAÇÃO – DE CRIANÇA (PARA HEITOR MAIA FILHO) . POR PADRE ALOÍSIO MOSCA.

HEITOR MAIA FILHO 1

Pesquisando sobre os documentos do recém-falecido arquiteto Heitor Maia Neto, a família encontrou um belo depoimento no momento do falecimento de seu pai, o também arquiteto, e fundador (junto com alguns outros) da Escola de Belas Artes em 1932, Heitor Maia Filho, escrito pelo padre Aloísio Mosca em 1947, e que reproduziremos agora, na íntegra.

O texto descreve uma amizade curta, mas inesquecível para ambos. Interessante notar o apego de um representante da Igreja Católica por um membro do Partido Comunista, e a confirmação de que duas pessoas aparentemente antagônicas podem ter muito em comum. Importante observar como o padre descreve as coisas das artes, da arquitetura, do “modernismo” – ainda incipiente por nossas terras naquele momento – e principalmente, a analogia entre o arquiteto e o homem Heitor Maia Filho.

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UM RECIFE, CONSTRUTOR DA AUTOESTIMA. POR JOSÉ LUIZ DA MOTA MENEZES

ARMAZÉNS DO PORTO

Na primeira década do século passado, no Rio de Janeiro, o prefeito Pereira Passos botou abaixo um grande número de prédios, então consideradas pardieiros no centro da cidade. No local surgiram novo edifícios, cuja característica entre outras, era a de montar um cenário de uma nova avenida, orientada, nas suas linhas arquitetônicas pelo que estava sendo realizado na Europa. Grandiosa, ela uma vez concluída mereceu um álbum do fotógrafo Marc Ferrez. Andar de automóvel, percorrendo tal via, era um luxo de poucos. Por outro lado, a população assistiu também a construção de um belo teatro nacional. A arquitetura ora intitulada Eclética representava tal feito com maestria.

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