Arquivo da categoria: Urbanismo

Igrejas e pátios quase virtuais. Por José Luiz da Mota Menezes

Vista atual do pátio da igreja de Nossa Senhora do Terço. Fonte Google maps

Na organização urbana do Recife, desde sua fundação no século XVI, as construções para fins religiosos acompanharam os modelos urbanos europeus, onde diante de cada igreja ou casa religiosa deixava-se um pátio para acolher os fieis e as demais cerimônias de interesse do culto, inclusive as procissões. Com a presença da gente dos Países – Baixos, a empresa que realizou a conquista de Pernambuco, ou seja, a Companhia das Índias Ocidentais, (1631-1654) ainda poucas eram as edificações do gênero no Recife. Com a capitulação dessa empresa mercantil, alguns locais na povoação e na Ilha de Antônio Vaz, pertencentes à Fazenda Real, foram doados para edificação de igrejas e casa religiosas. Nessas edificações, diante delas foram deixados pátios daquele gênero. Tais vazios urbanos foram delimitados por construções para moradias e outros usos.  Tais edificações foram construídas quase no mesmo tempo que as destinadas aos cultos, deste modo, garantiram-se uma escala de valores entre as edificações que cercavam o pátio e a destinada para a religião. Uma escala de valores em harmonia, a qual destacava de maneira bem clara a importância da construção para a religião e aquelas destinadas às moradias. Um equilíbrio definido e defendido pelas câmaras e acolhido pela população. Uma relação de valores, cujo padrão hierárquico, estava presente na cultura da gente e fruto da devoção religiosa.

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O que fazer com a Dantas Barreto? Por José Luiz da Mota Menezes

1A avenida Dantas Barretos em construção ainda com a presença da Igreja. Foto: Alcir Lacerda. Fonte:http://radioculturaviva.com/default.php?pagina=blog.php&site_id=6364&pagina_id=119225&tipo=post&post_id=1 *

O feito está feito. Não adiante senão rezar pelos mortos. Perdemos a igreja dos negros e pardos e com ela inúmeros sobrados da Rua Augusta. O sonho de alguns resultou na perda da memória da cidade em um dos seus mais importantes legados do tempo da colônia. O que foi feito com a avenida, eixo então de tanto interesse agora para a cidade?

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A Avenida Rio Branco vai se tornar um Boulevard. Por José Luiz da Mota menezes

1Extremoz- Évora, Portugal. Restos da muralha medieval e a nova defesa e com o bulevar.

Na primeira metade do século XVII, precisamente 1635, a palavra boulevard empregava-se nas obras de defesa de praças. Quando começou o emprego do canhão, os recintos medievais, defendidos por altas muralhas, passaram a ser envolvidos por fortificações baixas, sendo o espaço entre essa muralha e a nova linha de defesa designado por boulevard, (era um grande terrapleno no entendimento dos engenheiros militares).

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